Mundos no mundo

March 1, 2017

A minha Sexta-feira Santa foi passada com um casal vindo do Qatar.
Jovens pertencentes a uma realidade e cultura muito diferente da nossa.
Começaram logo por contar-me as suas profissões, os seus ordenados (sem eu perceber bem porque é que me davam tal informação), os empregados que têm em casa e a vida luxuosa que levam! A primeira coisa que queriam fazer era comprar o stick gopro e um iphone6 já que tinham perdido os seus. Primeira pergunta: "aqui podemos regatear não é?". Não... não podemos.
Após a tarefa cumprida fomos conhecer Lisboa a pé. Ao fim de 30 minutos, ela não queria mais andar, não queria estar nos sítios onde havia filas de turistas para entrar, não queria estar sob o calor, queria apenas o pastel de nata. Eu ter-me-ía sentado de bom grado num café durante o tempo todo da visita, mas o marido pensava de modo diferente.
Ele só queria andar e ver sítios onde houvesse salas com armas e espadas, mas ao mesmo tempo não queria visitar interiores, queria estar na rua já que o tempo estava bom! Oh contradição ao quanto obrigas!
Pediram para ver igrejas, para entenderem melhor a nossa diferença de religião. Detestaram a Igreja de São Domingos (onde já se viu uma igreja ser tão pobre, disseram) e adoraram o Mosteiro dos Jerónimos. Ao depararem-se com a imagem da Nossa Senhora de Fátima vieram as dúvidas.
Como é que ela poderia ser Fátima? Se Fátima é um nome muçulmano, se Fátima era a mulher do Profeta?
Eu tentei, juro-vos que tentei, expliquei e expliquei, mas ele na ânsia de querer mostrar que havia algo de errado no que eu estava a dizer, nem ouvia as explicações até ao final. Interrompia, não me ouvia, senti-me como um professor perante um aluno que não quer saber.
Tenho a certeza que não assimilou nada do que eu disse e que irá pesquisar na internet por teimosia!
O tópico cremação também foi falado. Ele é totalmente contra a cremação, mas eu quis explicar-lhe que actualmente cada vez mais pessoas optam por isso, ao que rematou bruscamente "lá por eles fazerem eu não tenho de gostar". Respirei e respondi, "não lhe disse que tinha de gostar, estou a demonstrar-lhe como são comportamentos num país diferente do seu, nada mais".
Para terminar com a cereja no topo do bolo dum comportamento que a cada minuto que passava se tornava mais altivo e mais de gozo para com tudo o que observavam, em vez de me pedirem se eu me importava em tirar-lhes fotos juntos, estendiam-me a máquina para a mão sem nada dizer e colocavam-se em posição. À quarta vez fingi que não percebia o que queriam!
Terminada a visita, respirei.
Quando me deparo com pessoas assim penso sempre na diversidade do mundo e no caminho longo que há para fazer, para que todos percebam que nós somos iguais e que deveríamos ser mais tolerantes e respeitadores.

Foi um dia difícil, confesso.

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