Lisbon Under Stars

Em 2018 o espectáculo imersivo Lisbon Under Stars, produzido pelo OCUBO, recebeu o Prémio de Melhor Evento Cultural. Dois anos e 90.000 visitantes depois, o deslumbramento continua. Nem o frio, nem a chuva retiram beleza a esta animação digital.

Apreciadora que sou do tempo frio, confesso que o ambiente em que vi o espectáculo, tornou-o ainda mais mágico - o céu laranja, carregado, com chuviscos aqui e acoli, uma lua a espreitar, quase que me fez pensar se outro terramoto estaria prestes a chegar.


E é essa a beleza deste local, fazer-nos viajar na história do próprio edifício, mas também da cidade.


A construção do Convento do Carmo aconteceu em 1389, impulsionada pelo desejo e devoção religiosa de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, que pretendia agradecer a vitória de Portugal na Batalha de Aljubarrota. O edifício foi mesmo um dos maiores e mais bonitos conventos da cidade, com uma vista privilegiada sobre o Rossio e a colina do Castelo, mas, em 1755, o terramoto e o consequente incêndio provocaram danos enormes na estrutura e levaram o seu recheio.

Um ano depois começou a reconstrução, que se vê interrompida em 1834 aquando da expulsão das ordens religiosas em Portugal. Em meados do séc. XIX, optou-se por deixar o edifício tal como o encontramos hoje, pois imperava o gosto romântico pelas ruínas, pela História e pelos antigos monumentos medievais. Em jeito também de relembrar a população do poder da Natureza, o corpo das naves da igreja ficou a céu aberto.

Mais tarde é instalado aí o primeiro museu de Arte e Arqueologia do país, o Museu Arqueológico do Carmo.


É neste cenário mágico que o espectáculo se desenrola!


A viagem é simplesmente maravilhosa, através de imagem e som, assistimos à construção, destruição e renascer deste lugar, enquanto ouvimos outras estórias e histórias de Lisboa, que chega mesmo à contemporaneidade.

A nossa narradora é Catarina Furtado, a banda sonora inclui nomes como Amália Rodrigues, Rão Kyao, Fernando Lopes Graça,, Madredeus, Zeca Afonso, Mariza, Tocá Rufar e muito mais. Os bailarinos da Companhia Nacional de Bailado e da Companhia Clara Andermatt dão vida a estas paredes. De caravelas até à mais actual street art, o desfile perante os nossos olhos é realmente imersivo e sensorial.

E o céu de ontem, fez-me pensar na dimensão do universo, da natureza e do papel do ser humano em tudo isto.


Se ainda não viram, têm até sábado para assistir.

Todas as regras de contingência são cumpridas, máscara, bolinhas no chão que marcam os nossos lugares, distância entre espectadores.

Vale mesmo a pena.

Deixo-vos algumas fotografias, sem revelar muito, porque acredito que a surpresa é sempre parte importante num espectáculo.











Aproveito para relembrar que OCUBO apresenta também o Magical Garden no Jardim Botânico Tropical em Belém. Espreitem o facebook d'A Teia da Guia para verem a nossa visita a esse outro espectáculo magnífico.


Não deixem de apoiar a cultura e o turismo em Portugal.


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