Filas

Nunca percebi porque é que a maioria dos povos não sabe o que é uma fila e muito menos a respeita. Creio que, com excepção dos portugueses, poucos são os que entendem este conceito! Até trabalhar em turismo e porque se publicita tanto a organização e respeito dos povos ditos "civilizados" do centro e norte da Europa, eu achava que fila era algo respeitadíssimo por todas as pessoas. Mas não. Façam a experiência, cheguem a locais repletos de turistas e reparem bem como se comportam perante as filas. Sem qualquer problema de consciência, colocam-se logo na frente, empurram, e começam logo a dizer o que querem! Muitas vezes, com a surpresa de tal comportamento, há pessoas que não reagem e deixam-nos passar. Mas tenho vindo a reparar, que felizmente, a maioria das pessoas já os alerta e coloca-os no seu lugar. O mais cómico é ver a reacção de surpresa deles. Notar como se defendem e, só quando percebem que há umas boas dezenas de pessoas que estão a reclamar do mesmo, é que começam a pensar na situação, percebem que além de ser um "costume local" (como já ouvi), trata-se de respeito. Quantas vezes já tive que discutir nos elevadores de Lisboa, no eléctrico 28 e agora mais recentemente no Jerónimos! Domingo, a porta da igreja com uma fila enorme mas o meu grupo queria esperar para entrar. Fizemos fila como todos. Quase a chegar a nossa vez, um casal de franceses passa a frente de todos, abre a cortina e entra. Eu já estava pronta para os chamar, quando o guarda da igreja reagiu. Chamou-os, disse-lhes que teriam de fazer fila e esperar. Com o ar mais indignado do mundo, olharam para trás e disseram: -Nós? Porquê? Não vamos incomodar ninguém. Não aguentei e tive que falar? - E nós todos? Vamos incomodar? Já olhou para trás? Estamos todos aqui há muito tempo à espera, logo respeite todas estas pessoas. Mas a senhora insistia, que eram só 2, que não fariam barulho, que não tinham tempo para esperas e que o meu grupo era muito grande. Pois é, mas o meu grupo são pessoas como ela e atrás do meu grupo estavam mais individuais como ela. Existe o respeito pelos outros e não tem mais solução nenhuma a não ser fazer fila. Ela ainda assim tentou mais uma vez. Colocou a mão novamente na cortina pronta para a voltar a abrir. O guarda disse-lhe imediatamente: - O que é que não entendeu? Como é que é possível ser-se assim?

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