A prática tende a ser mais correcta que a teoria

Lembrei-me daquele programa em que o patrão veste a pele do empregado, e durante uns dias experimenta como é o dia a dia do seu trabalhador. No final da experiência ele percebe que experenciar o que é a sua empresa ou o seu produto, poderá trazer-lhe mais benefícios e melhoramentos. Percebe que por vezes há situações e coisas que correm mal ou que geram descontentamento, porque não ouviu, nem deu importância a quem está in loco, a quem coloca as mãos na massa. Ter um grupo cujo tour leader é alguém que, além de não conhecer o destino para onde mandou o seu grupo, não quer ouvir a opinião das pessoas que trabalham na agência local, e que acha que toda a teoria de um escritório estrangeiro é que tem razão de ser... torna-se um pesadelo, mesmo sendo as pessoas do grupo (e na verdade as que importam satisfazer) tão simpáticas. Alguém que pensa que um tour de autocarro faz-se à velocidade de um carro, começa logo mal. Alguém que acha que 40 pessoas movem-se à mesma velocidade de uma, continua mal. Alguém que acha que sabe as horas de trânsito de um país onde nunca esteve e as condições das estradas, continua mal. Alguém que não entende que o tempo de serviço de um jantar ou almoço em Portugal não é igual ao dos hábitos americanos e não quer entender, só piora. Alguém que exige que apressemos o cliente é porque realmente não percebe o que o seu próprio cliente precisa! Alguém que telefona 20 vezes num espaço de 8 horas de trabalho é porque não confia na verdade no que fez! Mas o maior erro é não perceber que tem uma equipa que consegue tornar possível o programa impossível que criou e que consegue fazer com que os seus clientes sintam leveza, alegria e interesse durante todo o tour. Viver 4 dias sob a pressão de um tour leader assim e conseguir disfarçar e não passar para o grupo é... terminar sem energia no corpo. Se vale a pena? Vale, porque no fim, o que importa é que o grupo foi feliz. O grupo levou uma imagem boa de Portugal e dos profissionais portugueses e nem percebeu o organizador péssimo que contratou! Vale, porque no fim recebi algo assim:

Sentir que as pessoas importam-se ao ponto de procurarem um cartão para me oferecer, é a energia que precisava no fim deste grupo. Gostava tanto que todas as pessoas envolvidas em organizações de programas turísticos experimentassem fazer os tours que criam e entendessem o que realmente um turista precisa quando está a passear! A teoria em turismo é das coisas que menos valor tem...

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