Estórias breves

June 17, 2019

Chega a senhora perto de mim, com um saquinho de plástico com uma etiqueta a dizer Portugal. Lá dentro estão escudos, várias moedas.
"Cátia, não é este o vosso dinheiro?"
Naquele momento imaginei-a, há anos e anos atrás, a voltar a casa de uma viagem a Portugal e a guardar religiosamente essas moedas para um possível regresso aqui.
"Já não, nós agora utilizamos Euros."
"Sim eu sei, mas ninguém aceitará mesmo estas moedas?", olhou tristemente para o saco, tentou sorrir e voltou para o seu lugar no autocarro.

Aquela nostalgia dela emocionou-me de algum modo. Se eu soubesse escrever, quantas histórias poderia eu criar a partir destes pequenos momentos.

 

 

"Cátia, será que me sabes dizer qual é esta música? Lalalalala lalala lalalalala lalal lalalalalalala lalala lalalalalalalalala lalala lalala lalalala lalalalalaal lalalalala"

Estão a rir? Estão estupefactos? Não estão a perceber?
Pois foi tudo isso que eu pensei, mas a olhar para o senhor e a pedir ao meu corpo para não rir às gargalhadas, ao mesmo tempo que pensava como ele era tão querido por estar a tentar trautear uma melodia que tanto podia ser Beyoncé, como Quim Barreiros!

Como é que saí desta situação? Após os 40 segundos de lalala, disse-lhe "lamento, mas sabe, já a minha irmã diz que eu sou péssima a lembrar-me de músicas".

 

E desta vez a pergunta foi:
"Cátia, sabes onde fica aquele restaurante em que podemos escolher a lagosta que queremos comer, pois está num aquário? Fui lá há 25 anos, era aqui em Lisboa."

ora... hhmmmmm

 

Ai como eu tinha saudades disto:

Chegado o momento de dar os 30 minutos de tempo livre que estão no programa, olho para o relógio e são 15h26, pensei, "vou arredondar e digo que nos encontramos às 16h".
Diz um senhor assim: "não, não, às 15h56, porque às 16h não são 30 minutos"!
Eu sei que ao lerem isto, vocês pensam que o senhor estava a brincar, mas não estava. Há pessoas que levam profundamente a sério os minutos previstos num programa, mesmo que signifique terem um pouco de tempo a mais em algum lugar!

 

Perguntar não ofende:

- Cátia, onde é que esteve a exposição do Colombo?

Hmmm, Colombo? Pensei e pensei, mas não me lembrava de nenhuma exposição com esse tema.

- Em Lisboa?, perguntei.

- Sim, há 20 anos atrás, quando cá estive.

A sério que eu deveria saber? Há 20 anos atrás?

 

 

 

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