Parecia a minha avó

Saí para um walking tour por Lisboa. Esperavam-me duas senhoras parisienses, uma delas com a idade das minhas avós quando faleceram. A roupa que usava era tão semelhante à que elas usavam no seu dia a dia, o penteado também e a vontade de contar histórias ainda mais. Conforme avançamos pela cidade, a senhora mais velha foi contando porque queria vir a Lisboa: toda a vida conheceu portugueses em Paris, ouvia a Amália, viu o filme Os Amantes do Tejo, queria ver pelos seus olhos a cidade de que tanto falavam. Decidi surpreende-la e fiz o tour de Lisboa à volta da história da Amália. Quando mostrei o pátio da casinha onde Amália nasceu, a senhora ficou sem palavras. A partir desse momento, agarrava-me o braço, como uma das minhas avó fazia, contava histórias baixinho, interrompia, perdia-se a olhar o céu, os edifícios, fazia perguntas, cantava fados até! Adorei, muito. Pediu-me o meu email... o email (tal como a outra avó que sabia lidar com as tecnologias), para me enviar as fotos e marcar outra visita comigo, quando voltasse. Espero que volte.

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