Dar tudo que por vezes não temos

Penso que há 3 momentos muito difíceis na vida de um Guia-Intérprete:

1 - lidar com um acidente ou problema de saúde de um cliente, incluindo a morte

2 - estar doente

3 - estar profundamente triste

Nestes últimos dois casos não conseguir arranjar um colega para nos substituir tira do nosso corpo e mente toda a energia que já não temos. Fazer um tour cheio de dores no corpo, com a cabeça a latejar, tentar caminhar, tentar falar e respirar é algo quase impensável, mas sem sabermos como, aquele último pedacinho de energia vem ao de cima e leva-nos ao trabalho. Tenta-se encontrar artefactos para parecer estar bem: vestir colorido, colocar maquilhagem e sorrir.

Porque o grupo espera um dia feliz e inesquecível, porque as pessoas estão de férias e querem sorrir e esquecer os problemas delas.

E nós conseguimos isso.

E ao longo do tour, se amamos realmente esta profissão, também encontramos alento e aos poucos vamos sorrindo mais sinceramente e até parece que vamos curando. No fim, quando nos agradecem, quando sorriem, quando se despedem a prometer enviar fotos e a desejar-nos o melhor na vida, sentimos que valeu todo o esforço.

Mas assim que o corpo chega a casa, dorme, porque deu tudo aquilo que já não tinha.

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